Supermercado cada vez mais caro: cabaz de 63 produtos já custa 255,95 euros

Os preços dos alimentos voltaram a subir em Portugal. Em apenas uma semana, o cabaz alimentar acompanhado pela DECO PROteste encareceu 2,40 euros. Desde o início de 2026, a subida acumulada já ultrapassa os 14 euros.

Bolso do Povo | Economia e Custo de Vida | 7 de novembro de 2026

Comprar os mesmos alimentos custa cada vez mais

Ir ao supermercado continua a representar um esforço significativo para o orçamento das famílias portuguesas. E os números mais recentes ajudam a perceber porquê.

Segundo a atualização divulgada pela DECO PROteste a 4 de novembro, um cabaz composto por 63 produtos alimentares essenciais custa atualmente 255,95 euros.

O valor representa um aumento de 2,40 euros numa única semana, equivalente a 0,95%.

A subida surge depois de duas semanas consecutivas de descidas, demonstrando que os preços dos alimentos continuam sujeitos a oscilações.

Mas o problema não se resume à última semana.

Desde o início de 2026, comprar exatamente os mesmos 63 produtos passou a custar mais 14,12 euros, um aumento de 5,84%.

Bolachas Maria, cereais e café entre os maiores aumentos

Entre 28 de outubro e 4 de novembro, três produtos destacaram-se pelos aumentos percentuais particularmente elevados.

Produto

Aumento semanal

Preço médio

Bolachas Maria

+14%

2,89 €

Cereais integrais

+14%

4,06 €

Café torrado moído

+12%

4,97 €

São produtos comuns nas compras de muitas famílias portuguesas.

Embora estes aumentos não signifiquem que todos os supermercados tenham aplicado exatamente as mesmas alterações, mostram como determinados alimentos podem sofrer variações significativas em períodos muito curtos.

E quando vários produtos aumentam simultaneamente, o impacto começa a fazer-se sentir no total das compras.

Em quatro anos, o mesmo cabaz ficou 68,25 euros mais caro

A comparação com janeiro de 2022 revela uma evolução ainda mais expressiva.

Quando a DECO PROteste iniciou esta monitorização, o cabaz custava 187,70 euros.

Atualmente, custa 255,95 euros.

Isto significa que, em menos de cinco anos, o mesmo conjunto de alimentos encareceu 68,25 euros, ou 36,36%.

Evolução do preço do cabaz alimentar

Período

Valor

Janeiro de 2022

187,70 €

Início de 2026

241,83 €

Semana anterior

253,55 €

4 de novembro de 2026

255,95 €

Esta evolução ajuda a explicar por que motivo muitas famílias continuam a sentir dificuldades com o custo de vida, mesmo quando a inflação geral abranda.

Uma desaceleração da inflação não significa necessariamente que os preços estejam a descer. Pode significar apenas que continuam a aumentar, mas a um ritmo inferior.

Há alimentos que mais do que duplicaram de preço

Alguns dos aumentos acumulados desde janeiro de 2022 são particularmente significativos.

A carne de novilho para cozer apresenta uma subida de aproximadamente 120%, enquanto o bacalhau graúdo encareceu 107%.

Os ovos também registam um aumento acumulado de cerca de 79%.

Na comparação com o início de 2026, destacam-se ainda o tomate, com uma subida de 32%, o bacalhau graúdo, com 29%, e o arroz carolino, com 27%.

Estes valores mostram que o encarecimento dos alimentos não acontece de forma uniforme. Alguns produtos registam aumentos muito superiores aos de outros.

Porque continuam os alimentos tão caros?

O preço final dos alimentos depende de vários fatores, desde os custos de produção agrícola até ao transporte e à distribuição.

Entre os fatores que têm pressionado os preços em 2026 estão a instabilidade internacional, as perturbações nas cadeias de abastecimento, os custos dos combustíveis e da energia e o encarecimento dos fertilizantes.

Os fenómenos meteorológicos adversos também podem afetar a produção agrícola, reduzindo a oferta de determinados produtos e contribuindo para aumentos de preços.

Contudo, não é possível atribuir cada subida semanal a uma causa específica apenas com base nos dados do cabaz alimentar.

O impacto no orçamento das famílias portuguesas

Para muitas famílias, o supermercado representa uma das despesas mensais mais difíceis de reduzir.

Alimentos como leite, ovos, pão, arroz, carne, peixe e legumes fazem parte das necessidades básicas do dia a dia.

Quando estes produtos encarecem, as famílias podem ter de adaptar os seus hábitos de consumo, procurar alternativas mais económicas ou reduzir outras despesas para manter o orçamento equilibrado.

A diferença de 68,25 euros registada desde 2022 corresponde ao custo adicional de comprar uma vez o mesmo cabaz de referência. Não significa, por si só, que todas as famílias estejam a gastar esse valor extra por semana ou por mês.

Ainda assim, a evolução é relevante: demonstra que o custo de um conjunto fixo de alimentos essenciais aumentou substancialmente.

Como é calculado o cabaz da DECO PROteste?

A DECO PROteste acompanha semanalmente os preços de 63 produtos alimentares essenciais nos principais supermercados com loja online em Portugal.

O cabaz inclui alimentos de várias categorias, nomeadamente carne, peixe, frutas, legumes, laticínios, congelados e produtos de mercearia.

A organização calcula o preço médio de cada produto nos supermercados analisados e soma esses valores para determinar o custo total do cabaz.

É importante esclarecer que os 255,95 euros não representam necessariamente o valor das compras de uma família portuguesa.

Trata-se de um indicador de referência que permite acompanhar a evolução dos preços ao longo do tempo.

O valor efetivamente pago por cada consumidor depende dos produtos escolhidos, das quantidades, das marcas, das promoções e do supermercado.

Como tentar reduzir a fatura do supermercado?

Apesar dos aumentos, existem algumas estratégias que podem ajudar a controlar as despesas alimentares.

Comparar os preços por quilograma ou litro, privilegiar produtos de época, planear as refeições e verificar as promoções antes de comprar são medidas que podem contribuir para uma gestão mais eficiente do orçamento.

Também é importante comparar o preço final dos produtos, em vez de confiar apenas nas percentagens de desconto anunciadas.

Uma promoção nem sempre significa que determinado artigo seja a opção mais económica.

Afinal, estamos a pagar mais para levar menos?

Os dados da DECO PROteste confirmam que o custo do cabaz alimentar continua significativamente acima dos valores registados há quatro anos.

Mesmo quando existem descidas pontuais, o aumento acumulado mantém-se elevado.

Para quem depende de um orçamento mensal limitado, estas diferenças podem representar escolhas cada vez mais difíceis entre alimentação, habitação, energia, transportes e outras despesas essenciais.

E tu, também sentes que cada vez levas menos produtos para casa e pagas mais no supermercado?

Conta-nos a tua experiência nos comentários.


Fonte e metodologia

Dados da DECO PROteste, atualização de 4 de novembro de 2026, relativos ao acompanhamento semanal de 63 produtos alimentares essenciais.

Os valores apresentados são médias de referência e podem diferir dos preços praticados em lojas específicas.

Bolso do Povo — A economia explicada para quem sente os preços na carteira.


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