O teu carro pode arder e o seguro não te pagar um cêntimo: o que acontece nestes casos?

Imagina que estás a conduzir normalmente e, sem qualquer colisão, o teu carro começa a deitar fumo e acaba por incendiar-se.

A maioria das pessoas acredita que, tendo seguro automóvel, está protegida contra este tipo de situações. Mas a realidade pode ser mais complicada.

Dependendo das coberturas contratadas e dos danos causados, podes perder o carro, enfrentar despesas inesperadas e até descobrir que o seguro não cobre tudo o que imaginavas.

O seguro obrigatório paga o meu carro se ele arder?

Na maioria dos casos, não.

O seguro obrigatório automóvel serve principalmente para indemnizar terceiros pelos danos causados pelo veículo.

Isto significa que, se o carro se incendiar sozinho e ficar destruído, o simples facto de teres seguro obrigatório não garante que recebas qualquer indemnização pelo valor do veículo.

Para que o próprio automóvel esteja protegido, normalmente são necessárias coberturas adicionais, como incêndio, choque, colisão ou danos próprios.

Alerta

Muitos condutores só descobrem esta diferença depois de um sinistro.

Ter seguro obrigatório não significa automaticamente que o teu carro está protegido contra incêndio.

E se o incêndio danificar outros veículos?

Imagina que o carro pega fogo num parque de estacionamento e as chamas atingem outros automóveis.

Nesse cenário, podem existir danos causados a terceiros.

Dependendo das circunstâncias e da responsabilidade apurada, o seguro de responsabilidade civil poderá ser chamado a responder pelos prejuízos causados a outras pessoas.

E se o carro incendiar uma garagem ou uma habitação?

Os prejuízos podem aumentar rapidamente.

Um incêndio automóvel pode afetar:

  • Garagens;
  • Arrecadações;
  • Fachadas;
  • Portões;
  • Equipamentos elétricos;
  • Outros bens de terceiros.

Nestes casos, a análise da responsabilidade torna-se fundamental e podem existir várias entidades envolvidas, incluindo seguradoras e, em determinadas situações, fabricantes.

E se o carro incendiar numa estrada ou autoestrada?

Este é um cenário que poucos condutores consideram.

Um incêndio pode provocar danos em:

  • Pavimento;
  • Guardas metálicas;
  • Barreiras de segurança;
  • Sinalização;
  • Equipamentos da concessionária.

As reparações destas infraestruturas podem custar milhares de euros.

Por isso, quando ocorre um incêndio deste tipo, surge inevitavelmente a questão de quem suporta esses custos.

A conta pode não ficar pelo carro

Quando vemos imagens de um carro em chamas, a maioria das pessoas pensa apenas numa coisa: a perda do veículo.

Mas, dependendo do local e das circunstâncias, os custos podem ir muito além disso.

Um incêndio automóvel pode obrigar à intervenção de bombeiros, operações de limpeza, remoção de destroços e reparação de bens afetados pelas chamas ou pelo calor.

Se existirem danos em outros veículos, garagens, edifícios ou infraestruturas rodoviárias, a situação pode tornar-se bastante mais complexa.

É precisamente por isso que um simples incêndio automóvel pode transformar-se numa questão financeira muito maior do que a maioria dos condutores imagina.

E se o incêndio tiver sido causado por um defeito do veículo?

Nem todos os incêndios têm a mesma origem.

As causas podem incluir:

  • Problemas elétricos;
  • Falhas mecânicas;
  • Defeitos de fabrico;
  • Modificações não homologadas;
  • Falta de manutenção.

Quando existe suspeita de defeito de fabrico, a responsabilidade pode não recair exclusivamente sobre o proprietário do veículo.

Os carros elétricos têm mais risco de incêndio?

Os incêndios em veículos elétricos recebem frequentemente grande atenção mediática.

No entanto, o facto de um veículo ser elétrico não altera automaticamente as regras relativas aos seguros e à responsabilidade pelos danos causados.

O que importa é a origem do incêndio, os prejuízos provocados e as coberturas existentes.

O que deves verificar hoje na tua apólice?

Antes de surgir um problema, confirma:

✅ Se tens cobertura de incêndio;

✅ Se tens cobertura de danos próprios;

✅ Qual o valor máximo de indemnização previsto;

✅ Se existem exclusões relevantes;

✅ Quais os procedimentos exigidos pela seguradora em caso de sinistro.

No Teu Bolso

Muitos portugueses acreditam que “ter seguro” significa estar protegido contra tudo.

Na prática, a proteção depende das coberturas contratadas. Um carro pode incendiar-se e o proprietário descobrir demasiado tarde que a perda do veículo não está coberta.

Três coisas que deve verificar hoje no seu seguro

Antes de surgir qualquer problema, vale a pena confirmar:

✅ Se a sua apólice inclui cobertura de incêndio;

✅ Qual o valor máximo de indemnização previsto para o veículo;

✅ Quais são as exclusões e limitações das coberturas contratadas.

Muitos condutores pagam seguro durante anos sem saber exatamente o que está ou não protegido.

Perguntas Frequentes

Se o meu carro arder sozinho, recebo sempre uma indemnização?

Não. Depende das coberturas incluídas na apólice.

O seguro obrigatório paga o meu carro?

Regra geral, não. O objetivo principal é proteger terceiros.

Um incêndio pode causar danos superiores ao valor do carro?

Sim. Dependendo do local e dos bens afetados, os prejuízos podem ser muito superiores ao valor do veículo.

Vale a pena rever as coberturas do seguro?

Sim. Muitas pessoas desconhecem exatamente o que está incluído na sua apólice até ocorrer um sinistro.

Conclusão

Quando um carro pega fogo, a pergunta mais importante não é apenas porque aconteceu.

A pergunta que pode fazer a diferença no teu bolso é outra:

“Se isto me acontecer amanhã, quem paga a conta?”

Fontes

  • Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF)
  • Fundo de Garantia Automóvel (FGA)
  • Decreto-Lei n.º 291/2007 (Seguro Obrigatório de Responsabilidade Civil Automóvel)
  • Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC)
  • Associação Portuguesa de Seguradores (APS)

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